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Medicamentos utilizados no tratamento da tuberculose

Fonte: Thays Coutinho. Acervo: Fiocruz Imagens.

A TB é uma doença grave, mas curável em praticamente todos os casos. Com o esquema adequado, doses corretas de medicamento e administração regular por um período suficiente, a cura é alcançada em praticamente todos os cenários. O fornecimento dos medicamentos – indisponíveis no mercado privado – é gratuito, garantido pelo Ministério da Saúde (MS) (BRASIL, 2019; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2021b).

Os esquemas de tratamento para a TB são padronizados de acordo com a forma clínica e com o tratamento anterior, caso este ocorra, seguindo sempre as recomendações do MS. Compreendem duas fases: a intensiva (também chamada de ataque) e a de manutenção. A fase de ataque tem como finalidade reduzir rapidamente a população bacilar e a eliminação dos bacilos com resistência natural a algum medicamento.  Já a fase de manutenção prevê a eliminação dos bacilos latentes e a redução da possibilidade de recidiva da doença. 

Durante todo o tratamento, os medicamentos devem ser ingeridos diariamente, em uma única tomada ou, nos casos especiais, segundo a recomendação médic.

Para que o esquema terapêutico para TB seja mais efetivo, deve atender a três grandes objetivos:

Ter atividade bactericida precoce.

A atividade bactericida precoce é definida como a capacidade de matar a maior quantidade de bacilos em curto espaço de tempo. Após o início do tratamento com fármacos que apresentem atividade bactericida, em cerca de duas a três semanas a transmissão de bacilos pelos pacientes diminui significativamente.

Ter atividade esterilizante.

Quando o fármaco é capaz  de eliminar todos os bacilos presentes no indivíduo, dizemos que ele possui atividade esterilizante.

Ser capaz de prevenir a emergência de bacilos resistentes. 

Quando se fala na prevenção de bacilos resistentes, faz-se necessário esquema terapêutico com associação de diferentes medicamentos que atuem nos bacilos sensíveis e naqueles naturalmente resistentes (BRASIL, 2019).

A fim de assegurar o sucesso terapêutico, o tratamento deve associar quatro fármacos não utilizados anteriormente: dois essenciais (um bactericida e outro esterilizante) e dois acompanhantes, com ação protetora aos essenciais contra a resistência adquirida. Os fármacos essenciais devem permanecer no regime terapêutico durante todo o tempo de tratamento e os acompanhantes podem ser retirados após redução da população bacilar.

Figura 11 – Esquema terapêutico para TB
Fonte: Elaboração das autoras.

O Quadro 5 apresenta os medicamentos com alta capacidade bactericida, esterilizante e de prevenção de resistências (RABAHI et al., 2017; WERF et al., 2018; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019).

Quadro 5 – Medicamentos com alta capacidade bactericida, esterilizante e de prevenção de resistências
Atividade bactericida Atividade esterelizante Prevenção de resistências

Isoniazida

Rifampicina

Levofloxacino

Moxifloxacino

Linezolida

Bedaquilina

Delamanida

Carbapenens

Rifampicina

Pirazinamida

Levofloxacino

Moxifloxacino

Linezolida

Bedaquilina

Delamanida

Carbapenens

Clofazimina

Rifampicina

Isoniazida

Etambutol

Linezolida

Bedaquilina

Delamanida

Carbapenens

Fonte:  Adaptado de Caminero Luna (2016).

Assim, para compor os esquemas de tratamento, os medicamentos foram classificados da seguinte forma (WERF et al., 2018; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019):

Foto: Aline Gerhardt de Oliveira Ferreira e Erica Fernandes da Silva.

Conheça alguns tratamentos e as novas incorporações aos esquemas terapêuticos, clicando nos itens a seguir:

Tratamento da Infecção Latente por Mycobacterium tuberculosis (ILTB)
Brasil (2019, p.163).

[...] O tratamento da ILTB é uma importante estratégia para prevenção do adoecimento em populações com risco de desenvolver a doença, tais como contatos de casos de TB pulmonar bacilífera, pessoas vivendo com HIV e demais situações com comprometimento da imunidade, entre outras. [...] As projeções da OMS mostram que a prevenção da TB ativa com o tratamento da ILTB é uma das principais estratégias para a redução da taxa de incidência da doença [...].

O tratamento da ILTB com isoniazida reduz o risco de adoecimento por TB ativa em 60% a 90% dos casos. Essa variação se deve à duração e à adesão ao tratamento, que podem variar de seis a nove meses.  

Outros fármacos também estão indicados para o tratamento da ILTB, como a rifampicina por quatro meses e rifapentina/isoniazida por 12 semanas (BRASIL, 2018).

Tratamento da Tuberculose Sensível

No Brasil, para o tratamento da TB em adultos e adolescentes foi padronizado o esquema básico (EB) composto por quatro fármacos na fase intensiva e dois na fase de manutenção, com uma apresentação em comprimidos de doses fixas combinadas da seguinte forma (BRASIL, 2019):

  • 4 em 1 (RHZE) – rifampicina (R), isoniazida (H), pirazinamida (Z) e etambutol (E) 
    Dose fixa combinada de 50/75/400/275mg, respectivamente.
  • 2 em 1 (RH) – rifampicina e isoniazida
    Dose fixa combinada 300/150mg ou 150/75mg, respectivamente.
Tratamento da Tuberculose Drogarresistente (TB-DR)

No caso da TB-DR, os esquemas de tratamento utilizam os chamados fármacos de segunda linha, por um período mais prolongado e com maior toxicidade (BRASIL, 2019).

A OMS recomenda que esquemas terapêuticos para TB-MDR/RR contenham os três fármacos do grupo A, um ou ambos do grupo B e que sejam adicionados os fármacos do grupo C para completar o regime e quando os medicamentos dos grupos A e B não podem ser usados (RABAHI et al., 2017; WERF et al., 2018; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019).

Clique nos grupos para conhecer os medicamentos recomendados para o tratamento da TB-RR, TB-MDR e TB-XDR (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019).

Medicamentos
Levofloxacino
Moxifloxacino
Bedaquilina
Linezolida
Medicamentos
Clofazimina
Terizidona
Medicamentos
Etambutol
Delamanida
Pirazinamida
Imipenem-Cilastatina ou Meropenem
Amicacina ou Estreptomicina
Etionamida
Ácido Paraminossalicílico
Novas incorporações aos esquemas terapêuticos

Nos últimos anos, numerosos esforços têm sido feitos para diminuir a duração do tratamento e criar fármacos mais eficazes para o tratamento da TB.  Em 2018, a OMS recomendou bedaquilina e delamanida para o tratamento de TB-MDR/XDR, sendo a bedaquilina o primeiro medicamento em um esquema terapêutico totalmente oral desenvolvido para maximizar os desfechos do tratamento e minimizar a toxicidade dos fármacos injetáveis (BRASIL, 2021b).

A bedaquilina, uma diarilquinolina que inibe a ATP sintase, possui um mecanismo de ação único e específico para micobactéria, sendo o primeiro tuberculostático em 40 anos a ser aprovado para pacientes com TB-MDR/XDR (BRASIL, 2020b, 2021b).

A delamanida é um pró-fármaco nitroimidazólico que inibe a biossíntese do ácido micólico. Seu uso é indicado na impossibilidade de uso dos medicamentos dos grupos A e B.  A associação com a bedaquilina precisa ser criteriosa, por ser um medicamento que pode prolongar o intervalo QT, ocorrendo, assim, sinergia desse evento adverso quando do uso concomitante com fluoroquinolonas e delamanida (BRASIL, 2020a, 2020c).

Clique a seguir para conhecer melhor a bedaquilina e a delamanida.

  • Incorporada ao SUS por meio da Portaria SCTIE-MS  n. 36, de 31 de agosto de 2020 
  • Forma farmacêutica: comprimido de 100mg
  • Fabricante: Janssen-Cilag Farmacêutica LTDA
  • Atividade: bactericida e esterilizante
  • Apresentação: embalagem com 188 comprimidos
  • Posologia: 02 semanas – 04 comp./dia (400mg/dia)
    22 semanas – 02 comp./dia (200mg/dia) 3 vezes por semana
  • Total: 24 semanas de tratamento
Foto: Aline Gerhardt de Oliveira Ferreira e Erica Fernandes da Silva.
  • Incorporada ao SUS por meio da Portaria SCTIE-MS n. 33, de 24 de agosto de 2020
  • Forma farmacêutica: comprimido de 50mg
  • Fabricante: Otsuka Novel Products GmbH
  • Atividade: bactericida
  • Apresentação: embalagem com 48 comprimidos
  • Posologia: 24 semanas – 02 comp./dia – 12/12h - (100mg/dia)
  • Total: 24 semanas de tratamento
Foto: Aline Gerhardt de Oliveira Ferreira e Erica Fernandes da Silva.

A nota informativa que dispõe sobre atualização das recomendações do tratamento da tuberculose drogarresistente com a disponibilização da bedaquilina e delamanida(BRASIL, 2021; CAMINERO LUNA, 2016) encontra-se disponível, assim como a nota sobre o uso excepcional da associação bedaquilina/delamanida (HATAMI et al., 2022).

É preciso lembrar que nenhum esquema de tratamento pode ser interrompido, exceto nos casos em que ocorre revisão clínica e laboratorial que oriente a mudança do diagnóstico.

Atividade de avaliação 2

A partir dos conceitos expostos nesta seção, apresente, na sua percepção, como tem sido o acesso aos medicamentos para tratamento da TB na sua realidade de atuação. A sua produção pode ser escrita, ou em formato de áudio ou de vídeo (2-3 min de duração). Pedimos que:

Se tiver optado por gravar um vídeo, publique-o em algum serviço de nuvem (Google Drive, OneDrive, Dropbox e afins) ou de streaming (YouTube, Vimeo e afins) e envie o link. Nos casos de produção escrita ou áudio, envie o arquivo.

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